As cores


Essa não é uma carta aberta sobre o amor ou sobre o amar. Esse não é um poema. Não tem as estrofes que necessitam para um verso. Não ficaria bem cantado, por isso não é uma canção. Não é ao menos o roteiro de alguma coisa que se vê na televisão ou nos cinemas sobre jovens apaixonados, sobre borboletas no estômago ou sobre a luz da lua vista por dois olhos brilhando. Talvez não seja também uma parábola, pois não possui simbolismos onde cada elemento da história tem um significado. Afinal, isso não tem mesmo uma conclusão, não sabemos explicar a ferro e fogo o que é.
Talvez seja sobre seus olhos da cor do mel escuro que me encantam a cada acordar. Sobre sua boca rosa e sua voz aveludada ao me desejar o melhor dos meus dias. Ou seus pequenos cílios que deixam sua feição mais nobre e encantadora. Talvez, seja sobre seu cabelo liso e curto que você vive mexendo com as mãos para acertar o ponto certo que eles devem ficar, seu caminhar de pernas longas e belas, suas mãos que me enchem de cafuné, carinho e que enxugam minhas lágrimas quando essas caem por terra. Quem sabe não são seus braços que me abraçam, me entrelaçam, me amassam? Esses mesmos que me cobrem de paz, me alimenta a alma, me protege e me afetam com grande afeto. Não, não! Acho que é algo mais profundo. Será que são suas palavras? As palavras que em momentos gloriosos da vida me dizem que eu sou um grande vencedor, que tudo que há de melhor e mais feliz nessa vida eu mereço em dobro? As palavras que me confortam em momentos ruins e tristes. As palavras que me dizem como sou importante na vida de alguém, como sou isso ou aquilo. Que me diz que tudo dará certo e que estará comigo, segurando minha mão até o fim dos tempos. Será que são elas? As palavras...Aaaah...as palavras...Queria nessa vida, ser um grande poeta, lhe dizer as coisas mais belas, as coisas que você merece ouvir. Desejar-lhe o bem, a paz e o amor. ME desejar que eu tenha você pra sempre. Poder te falar de uma forma bela que em você, encontrei eu. Que talvez, você seja o meu eu. Que em você encontrei o que eu procurava a tempos e que já estava esgotado de procurar e a cada desilusão pensar: esquece! Você não vai encontrar! Não existe mais! E olha que surpresa! Você apareceu e quem disse que não existia, perdeu.
Acredito que isso vai muito além das palavras. Talvez estejam nas atitudes. Talvez esteja naquele dia de chuva que você, com uma blusa fez um guarda-chuva. Ou quando você me protegeu do frio, do rio, do vazio...quando você quis assistir a algo nada vê a tv, só porque eu gostava. Da nossa caminhada na praia, do nosso piquenique de coisas naturais que você me fez comer só pra eu ter uma vida saudável. Do cinema quando eu preferi assisti a você a o próprio filme. Quando fazemos programas chatos e no fim acabam sendo divertidos, pois estávamos juntos. Quando você me abraça de surpresa e me afoga em seus braços. Até da sua mordida no meu ombro eu sinto falta. Até do cheiro do seu perfume eu sinto falta. De você eu sinto falta.
Será que isso é sobre o amor, o amar, um poema, um verso, uma canção ou um roteiro? Será que sobre o coração que não diz nada e diz tanto? Será que sobre o roxo, o verde, o laranja ou o vermelho? Acho que na verdade seja apenas sobre o azul e o preto, é...o azul e o preto...! Eu não sei...talvez seja uma mistura de cores de um quadro de Paul Cézanne, Michelangelo, Salvador Dalí...eu não sei. Talvez sejam todas as cores em um único lugar. Talvez seja você, apenas você.


4 comentários:

  1. Que texto é esse? simplesmente incrível, seus textos são os melhores, continue assim
    Abraço.

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    1. Esse é um dos poucos momentos que estou apto pra falar sobre o assunto Luiz. Rs que bom que gostou.

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  2. Que lindo seu texto! amei a forma como vc consegue caracterizar as coisas dá para imaginar claramente na mente.
    bjs Gi
    Blog : http://giovannanabero.blogspot.com.br
    Insta: ginabero11

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  3. Que bom saber disso Gi. Fico feliz que consegui traduzir algo tão especial. Um beijao

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